Cidade terá plano de contingência para diminuir consumo de água
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30 de outubro de 2014
“A situação é crítica, choveu 54% do normal para o período. Não teve racionamento, mas a partir de agora depende de chuva para o abastecimento. A Odebrecht tem sua responsabilidade e todos os cidadãos também têm. Nós fizemos o possível, investimos cerca de R$ 8 bilhões e hoje, são R$ 15 milhões para operar todo o sistema, mas agora o problema em Santa Gertrudes é unicamente causado pelas condições climáticas, falta matéria-prima: água. A partir da próxima semana, entrará em vigor um decreto que permitirá a redução do consumo de água”, comunicou Alexandre Leite – gerente de Operações da Odebrecht Ambiental, durante o programa especial da Câmara desta terça-feira, dia 28, transmitido ao vivo pela TV Claret. Participaram também os vereadores José Luis Vieira (Ratinho-PMDB) - presidente da Casa, Luiz Basso (PR) – primeiro-secretário, Glalson Chamon da Silva (Pros) e Levy Xavier Ferraz (PRB); e o prefeito Rogério Pascon.
Vieira enfatizou o que ele e os demais vereadores vêm falando durante as sessões ordinárias: “mesmo com a colaboração da população em reduzir o consumo, chegamos a 150 litros por dia, por pessoa, é preciso economizar mais”. O Presidente da Câmara lembrou a “atitude arrojada” tomada pelos vereadores em 2007, quando, mesmo com grande parte da população sendo contra, aprovaram a concessão da água, um trabalho iniciado pelo ex-prefeito Valtimir Ribeirão, implantada pelo então prefeito João Carlos Vitte. “Na época, não foi uma atitude impensada, muito pelo contrário, pensamos no futuro e, este futuro chegou rápido, porque se não fosse o bom trabalho da Foz [antigo nome da Odebrecht Ambiental], com investimentos em captação e, principalmente, na redução das perdas, há muitos meses estaríamos sem água nas torneiras”, explicou.
Rogério Pascon, que era vereador, concordou: “na época fomos criticados, pagamos o preço, mas os reflexos da atitude chegaram” e lembrou que “há 10, 15 anos mesmo chovendo, a população sofria com a falta de água”, acrescentando: “trabalhamos pensando no futuro, a concessão salvou a Cidade de estar vivendo um caos”. Pascon confirmou que está preparando um decreto, “um plano de contingência para a Odebrecht poder agir e, a partir de amanhã [dia 29] a Odebrecht poderá tomar atitudes contra o uso irracional da água”.
Luiz Basso lembrou que há mais de 80 anos não há uma seca como a que está ocorrendo. “A situação é realmente crítica e não só no estado de São Paulo, em vários outros do sudeste também. Aqui, a maior parte da população está respondendo aos apelos por economia de água, mas ainda tem gente que não entendeu a gravidade; acho que só vai entender quando abrir a torneira e não ter água, e a falta de consciência de alguns afeta a todos”, comentou. Basso informou que será preciso cinco anos de chuvas regulares para recuperar os níveis dos rios.
Chamon e Levy questionaram o Gerente da Odebrecht sobre a possibilidade de utilizar água não tratada na construção civil. Alexandre advertiu que é preciso cuidado no contato com água não tratada, “é questão de saúde pública”, afirmando que precisa sim encontrar formas de usar a água de forma consciente e citou o exemplo do senhor Enilsom, pedreiro, morador do Jardim Iporanga: “ele capta água da chuva em galões e esta água é levada até as construções onde ele trabalha”. Estes e outros exemplos de cidadãos com dicas de como economizar estão no site juntospelaagua.com.br , lançado pela Odebrecht no mês de agosto. Uma dica, é que: se cada pessoa diminuir o tempo no banho em um minuto, a Cidade ganha uma hora de abastecimento.
Alexandre Leite explicou que, da média de 150 litros de água consumidos por pessoa, por dia, dois são para beber e os 148 que restam 70% são gastos nos banheiros e área de serviço então, também é preciso conter vazamentos dentro das casas. Segundo o Gerente, o trabalho de contenção reduziu as perdas externas que passavam de 50% para 30%. Ele afirmou que, hoje, como o Córrego Santa Gertrudes está com vazão menor do que o necessário para a captação, a Odebrecht está buscando água em quatro outros pontos, áreas particulares cedidas e, a distância maior para levar a água até a estação de tratamento, onera os custos.
Pascon contou que está, pessoalmente, pedindo aos empresários - comércio e indústria - que colaborem, tomando medidas para conter o consumo e evitar produzir poeira. “Não é só o consumidor residencial que precisa colaborar, indústria e comércio também tem que fazer a parte deles. É preciso esforço coletivo”. Ele alertou: “primeiro água para as pessoas, depois para as animais e, em terceiro, para as plantas”.
As sessões ordinárias voltam na terça-feira, dia 4 de novembro e, com o fim do horário político obrigatório, acontecem no horário habitual, das 19h30 às 21 horas. Os trabalhos são transmitidos ao vivo pela TV Claret, canal 19, e pelo camarasg.sp.gov.br . Quem preferir pode acompanhar do Plenário “Íria Hansen”, cuja capacidade é de 60 pessoas.
Silvia Araujo – MTB. 16.659